
Escritório brasileiro de empresa londrina reúne ex-profissionais da MTV e da PlayTV
Uma reunião de renomados profissionais de televisão é a grande novidade no mercado de produção de conteúdo neste início do ano. Com previsão de investimentos de R$ 2 milhões em 2010, a Flint abre as portas de seu escritório no Brasil oficialmente nesta semana. A produtora, com sede em Londres, chega ao Brasil pelas mãos dos sócios-produtores André Vaisman (ex-MTV e PlayTV), Leonardo Eid (ex-PlayTV) e André Sobral (sócio-fundador da Sobral Marketing) e do produtor associado Zico Goes (ex-MTV).
Na Europa, a Flint produz conteúdo para televisão, internet e telefone celular. A produtora inicia suas atividades no País oferecendo serviços de produção e criação de conteúdo para canais de TV, branded content e webcasting, tanto on demand quanto ao vivo. Uma unidade móvel específica para transmissão de eventos em tempo real via internet é um dos trunfos da Flint no concorrido mercado nacional de produtoras. A empresa planeja contar com um estúdio próprio, em São Paulo, até o fim do ano.
“Ficou muito fácil falar em projeto multiplataforma, mas o que mais vemos hoje são conteúdos de televisão sendo transportados para outras telas, o que resulta em muitas aberrações, tanto de formato quanto de conceito. Nós iremos produzir conteúdos específicos para as três telas (TV, computador e celular) respeitando as peculiaridades de cada uma”, afirma Eid. Segundo ele, o quarteto já tinha tudo pronto para iniciar as operações de uma produtora quando, em outubro de 2009, durante o Mipcom, em Cannes (França), surgiu o interesse dos ingleses em uma parceria.
“Diversos fatores nos atraíram para o negócio. O principal deles foi poder aliar a nossa experiência em produção de conteúdo com a tecnologia deles em webcasting – que, quando associada a ferramentas de marketing, torna-se uma arma muito poderosa”, diz Sobral. “Também pesou o fato de o escritório da Flint ser em Londres, um centro mundial de lançamento de tendências e design.”
No prazo entre um e dois anos, a parceria evoluirá para uma sociedade, com os brasileiros ganhando uma participação no escritório londrino e vice-versa. O objetivo é a construção de uma holding internacional, comandada por Londres e São Paulo. “Por enquanto, estamos equiparando o investimento que os ingleses fizeram no escritório europeu para que as operações sejam similares”, explica Eid.
A previsão de faturamento da Flint para 2010 é de R$ 1,8 milhão. A expectativa é que, em dois anos, as receitas anuais cheguem aos R$ 5 milhões. Além do crescimento da demanda dos canais abertos e pagos por conteúdos de produtoras independentes, outra aposta para alcançar tais valores é a concentração dos maiores eventos esportivos do planeta nos dois países em que a empresa tem operações. Os dois próximos Jogos Olímpicos acontecerão em Londres (2012) e no Rio de Janeiro (2016). A Copa do Mundo de 2014 será no Brasil, e a Inglaterra pleiteia ser a sede da Copa de 2018.
Até agora, entre trabalhos na Europa e no Brasil (onde já funcionava em esquema de soft opening desde o final do ano passado), a Flint realizou projetos para marcas como Cadbury Adams, Nokia, Orange, Disney, Mix TV e Brands Club.
Para reforçar o foco na produção de conteúdos, os filmes publicitários tradicionais não estão no menu da Flint. “Nós gostamos de contar histórias mais longas do que apenas 30 segundos”, afirma Goes. “O mundo da publicidade parece caminhar agora para o que a gente já faz há 20 anos”, endossa Vaisman, que ressalta a parceria com Goes nos tempos de MTV. “Juntando nossas experiências, temos 14 anos e mais de 80 programas dedicados e concebidos para o público jovem.”