Usar Photoshop é enganar o consumidor?

“No minuto em que você pega sua câmera já começa a mentir – ou a contar a própria verdade”. Esta é a frase do famoso fotógrafo Richard Avedon, dita em 1967 e estampada até hoje em uma de suas fotos no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Não é de hoje que se sabe ser possível adulterar fotos utilizando-se de técnicas disponíveis. Naquela época existia o “avô” do photoshop e, através de técnicas, muitas mudanças foram feitas em fotos históricas e que marcaram época.

Numa mostra em Nova York se pode observar cerca de 200 trabalhos feitos entre 1840 e 1990 onde as fotografias exibidas foram adulteradas valendo-se de uma variedade de técnicas, como fotomontagem, retoque à mão, manipulação de negativos ou uma combinação delas. Naquele tempo, algumas fotos foram descobertas e consideradas charlatanismo, com truques fotográficos bizarros. Um exemplo clássico é o retrato de Lênin com um jovem Stalin, forjado, já que Stalin não estava originalmente naquela foto.

Ou seja, a “verdade” da fotografia depende de qual verdade seu autor quer passar adiante. É também sabido que a fotografia, além de ser uma arte, é uma disciplina que exige estudo e dedicação para poder bem retratar a realidade. E, muitas vezes, a combinação de uma imagem com uma legenda pode mudar o rumo da história completamente!

O Photoshop é um destes renomados recursos, onde através de alta tecnologia em software pode-se editar fotos e modificá-las de acordo com a vontade de quem o utiliza. Criado em 1987 pelos irmãos Thomas e John Knoll, o Photoshop foi concebido e destinado desde o seu início como ferramenta de manipulação de imagens. Com o passar do tempo,  usar o Photoshop passou a ser visto como uma fase natural pós fotografia para se fazer pequenos retoques.  Ocorre que de pequenos retoques passamos a ver no mercado uma quantidade imensa de fotos que se distanciavam fortemente da realidade.

As mulheres passaram a ter uma beleza irreal, as cores das frutas não condiziam com o que conhecemos, para não falar do falso azul do céu, que passou a se fundir com o azul do mar. Imagens inteiras passaram a ser produzidas dentro do Photoshop. Falo isto porque entendo relativamente bem do assunto, estudei e opero com desenvoltura os softwares da Adobe. Considero uma empresa da mais alta tecnologia e que possui aplicativos maravilhosos.

Não estou criticando as ferramentas, mas o uso de uma forma desenfreada com a qual estamos nos deparando nas áreas de Marketing e agências de propaganda. Há um perigo iminente para o consumidor quando se trata da compra de um produto ou serviço que aparenta ser mais bonito e interessante do que realmente o é. Até que ponto esta atitude é propaganda enganosa?

agências de viagem passaram a expor resortes em cenários jamais vistos, se confundindo com sets de Hollywood. Quem não se deparou com uma foto de uma celebridade clicada para uma revista de moda, onde ela parecia, claramente, ter 10 anos  menos? Muitas vezes já estivemos com   algumas delas e sabemos que aquilo não é verdadeiro. Já as modelos são lindas, mas pós photoshop ficam perfeitas, se é que isto existe!

E assim vamos vendo tudo se transformar. Não aceitamos um fio de cabelo fora do lugar ou uma pinta em qualquer parte do corpo. Não há barriga em excesso e nem bumbum com celulite. Estamos presenciando a era da beleza construida no Photoshop. Não gostou disto? Não tem problema: tiramos no Photoshop. Isto é moeda corrente na linguagem da fotografia. Também já foi o tempo em que fotografar era o resultado das variáveis talento, luz, velocidade e abertura. Hoje há espaço para errar muito e depois corrigir no Photoshop da Adobe.

Não nego a necessidade de pequenas correções em algumas fotos, sem as quais retrocederíamos, mas defendo a necessidade de não se cometer o excesso. No entanto, até que ponto uma empresa tem o direito de mostrar um rosto que não é real? Até onde uma agência de turismo pode atrair seus clientes com locações ilusórias? Até que ponto uma foto de um sanduíche pode ser manipulada criando  um apetite appeal que não é real?  Tem alguém aí em Marketing que possa falar sobre isto?

Fonte: Mundo do Marketing

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