Criativos discutem a caça aos Leões

Profissionais debateram a importância da conquista de prêmios e a criação de anúncios fantasmas

A discussão sobre o trabalho criativo voltado especificamente para a conquista de prêmios, em especial os Leões de Cannes, foi uma das pautas do Festival do Clube de Criação de São Paulo, que termina nesta segunda-feira, 3. Em mesa-redonda mediada pelo jornalista Alexandre Zaghi Lemos, editor do Meio & Mensagem, o tema “O Brasil precisa de 80 Leões?” foi discutido pelos criativos Anselmo Ramos (Ogilvy), Fernando Campos (Santa Clara), João Livi (Talent), Ícaro Dória (W+K) e Rynaldo Gondim (AlmapBBDO), além de Carlos Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan.

Na opinião de Campos, a discussão que se abre engloba diversos pontos, como por exemplo a criação de anúncios fantasmas, que segundo ele, são aqueles que não existiriam se o Festival também não existisse. Para o criativo, ganhar prêmio com peças assim tira o respeito pela publicidade do Brasil. “Só seremos respeitados se ganharmos 80 Leões reconhecidos. O anúncio fantasma preocupa o mercado porque esconde todos os outros”, opinou.

Gondim foi polêmico ao dizer que a incessante busca por medalhas gera prejuízos muito graves ao mercado. “Existem fenômenos que acho absurdos, como a criação descarada de anúncios de filantropia só para inscrever em Cannes. É vergonhoso, porque muitas vezes não geram arrecadação ao menos no valor da inscrição da peça no Festival para a entidade”, criticou. Livi discordou dos argumentos apresentados por Gondim e disse se orgulhar de sua profissão. “Nosso mercado é belo, mas tem coisas para curar”, afirmou.

Já Murilo Moreno, único anunciante do grupo, reconheceu que sua visão é bem diferente em comparação à dos criativos de agências. “Como cliente, observo duas coisas importantes: se a agência conquista clientes grandes e se ela ganha prêmios. Se os dois acontecem é porque podemos confiar nossa marca à esses caras”, frisou. Ao mesmo tempo, reconheceu que a conquista de prêmios não muda a vida do anunciante. “Pôneis Malditos não ganhou nenhum prêmio fora do Brasil porque as pessoas não entenderam a campanha, em compensação dobrou as vendas da montadora. O que é de fato o que me importa”, disse.

Sobre a perspectiva futura deste tema, Ramos, da Ogilvy, não vê mudança possível. “Trabalho em uma agência multinacional, para eu não me preocupar com prêmios só saindo de lá. Há cobranças de todos os lados, do diretor regional, diretor nacional, diretor global, cliente… até minha filha me pergunta quantos Leões ganhei”, disse. Ele defendeu que, se o Brasil participa da competição, deve buscar a vitória. “Mas, mais importante que ganhar vários Leões é ganhar o mais importante, o de Titanium”, disse.

Na conclusão de João Livi, da Talent, faz-se necessário a valorização da criação de campanhas que estimulem o mercado interno. “O case de Brastemp não ganhou nada em Cannes, mas foi um marco na história da propaganda e da própria marca. Devemos estimular os novos profissionais a criarem e darem voz às marcas”, finalizou.

Fonte: M&M

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