Expectativas e realizações

Um novo ano acaba de começar e com ele renovam-se, ao mesmo tempo, as esperanças de que podemos nos superar e o arsenal de perguntas sobre esse cenário em profunda transformação

Quatro anos atrás, o mundo — e especialmente os Estados Unidos — começava a se acostumar com um sujeito que tinha como mote de campanha “Yes, we can” e pregava uma transformação sem precedentes na maior economia do planeta. O que se viu ao longo de 2008 foi o fortalecimento da candidatura de Barack Obama, ajudada em grande parte por uma primorosa campanha de marketing que fez história e conseguiu mobilizar os Estados Unidos em favor de sua eleição. No segundo semestre deste mesmo ano, especificamente, em 15 de setembro, houve a queda do Lehman Brothers, instaurando uma profunda crise financeira não só nos EUA, mas com reflexos em todo o mundo.Ao longo desses quatro anos, novos fatos provocaram mudanças no cenário internacional e algumas expectativas não se concretizaram. Obama não mostrou, na prática, ser o líder carismático e transformador que parecia quando era apenas uma promessa de campanha e não deverá se reeleger para o próximo mandato. O mundo absorveu o impacto da crise de 2008. O Brasil mais rapidamente do que diversas nações.

Agora, neste início de 2012, o eixo de preocupação tem como foco a Europa. O desfecho da crise da zona do euro dará o tom da economia global este ano. O ano é de incertezas, mas também há algumas apostas claras a serem feitas. Como fazer projeções e apontar tendências é um desafio e tanto, Meio & Mensagem decidiu convidar um time de especialistas nacionais e internacionais para escrever sobre suas respectivas áreas com o mote “O que esperar de 2012”.

No ambiente macroeconômico, o ex-­ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Maílson da Nóbrega, pontua que “o desempenho da economia em 2012 será modesto diante de resultados mais bem obtidos no período recente e menos positivo do que o de outras economias emergentes. Mesmo assim, será muito mais favorável do que o da grande maioria dos países desenvolvidos”.

O poder dos neoconsumidores que passam a se relacionar com as marcas de uma nova forma é o foco do texto de Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da GS&MD. Nessa mesma linha, 2012 será o ano da consolidação do social commerce na opinião de Romero Rodrigues, presidente do Buscapé Company.

Na esfera internacional, Benjamin Palmer, CEO do The Barbarian Group, salienta a necessidade de se mudar processos para “assegurar-se de que as ideias, basicamente, atendam às necessidades da audiência, não só do cliente”. Por sua vez, Nick Law, CCO e vice-presidente executivo da R/GA Mobilidade, faz uma provocação: “Se os hábitos de consumo de mídia de nosso público começam em um dispositivo que se carrega no bolso, é aí que deveria estar o ponto de partida de nosso trabalho. Em todas as campanhas e plataformas, a mobilidade deveria ser o foco central da conexão, em vez de um mero detalhe para o qual se destina uma porcentagem mínima das verbas.”

Ainda na linha dos grandes questionamentos, PJ Pereira, sócio da Pereira & O’Dell, coloca alguns pontos cruciais sobre o novo papel das agências: “Como cobrar pelo trabalho quando o envolvimento para a criação de conteúdo é tão mais profundo? Como tratar uma nova geração de ideias como produto autoral, não apenas um serviço? Como estruturar as finanças caso o volume de mídia caia tão radicalmente? Como transmitir segurança aos anunciantes quando se é dependente de um ambiente tão frágil, incontrolável e volátil quanto o ciclo de notícias?”

Um novo ano acaba de começar e com ele renovam-se, ao mesmo tempo, as esperanças de que podemos nos superar e o arsenal de perguntas sobre esse cenário em profunda transformação. Vivemos de expectativas e de realizações, e encontrar o ponto de equilíbrio entre esses dois extremos é um grande desafio individual e coletivo.

Fonte: M&M
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