Tablets continuam a desafiar modelo de negócio de revistas

O pote de ouro no fim do arco-íris existe, mas o caminho para chegar até ele ainda é um mistério. É assim que as companhias que publicam revistas no Brasil veem a busca por um modelo de negócio que se mostre lucrativo com a publicação de seus títulos nos tablets.

Nesses dispositivos, é possível cobrar para que os leitores tenham acesso a revistas por meio de aplicativos, seja na forma de assinaturas ou números avulsos. Para as empresas, esse mecanismo representa um avanço significativo frente à web tradicional, acessada por meio de um programa de navegação e na qual prevalece o acesso gratuito ao conteúdo e a cópia de material sem autorização.

A decisão recente tomada pelo “Financial Times”, controlado pela Pearson, reacendeu as discussões sobre a lucratividade das edições para dispositivos móveis de revistas e jornais. O jornal britânico removeu os aplicativos disponíveis para o iPad, da Apple, depois de a companhia americana insistir que todos os aplicativos destinados ao equipamento devem estar submetidos às suas regras, o significa o controle dos dados dos clientes e 30% da receita obtida com a venda das publicações.

“Há um ano, as editoras pensavam que o iPad mataria o modelo de web gratuita. Depois, viram que não é tão bom ficar nas mãos de uma companhia de tecnologia”, afirmou Silvio Genesini, diretor-presidente do Grupo Estado e presidente da comissão de estratégias digitais da Associação Nacional de Jornais (ANJ). De acordo com Genesini, outras editoras começaram a buscar opções para fugir da dependência da Apple.

No Brasil, as editoras têm procurado desenvolver mais aplicativos para dispositivos móveis que usam o sistema operacional Android, do Google. A Editora Globo possui 13 aplicativos para Android, contra seis para iPad e iPhone. A Abril tem 39 aplicativos para os dispositivos da Apple, e sete para outros aparelhos. O lançamento de aplicativos para outros sistemas operacionais além do iOS, da Apple, cresce no mercado internacional. Enquanto as lojas da Apple dispõem de 91 títulos para iPad, o Google oferece 20 mil revistas para o sistema Android.

Para Youssef Mourad, executivo-chefe da Digital Pages, as companhias têm se ocupado mais em diversificar o conteúdo do que obter anúncios publicitários com os novos produtos. Nos Estados Unidos, as editoras fazem a venda de um pacote publicitário para todas as plataformas, ou a venda de anúncios por plataforma. Ele citou o caso do “New York Times”, que vende espaço publicitário separadamente, para o site e para a versão em tablets. A Digital Pages desenvolve aplicativos que facilitam a leitura de publicações na web e em dispositivos móveis.

No Brasil, disse Mourad, gerar receita com tablets é mais complicado porque a publicidade na internet nunca foi muito valorizada no país. “Os anúncios de internet têm baixo valor percebido. Fica difícil vender anúncio a um valor mais alto para tablets, que têm um público-alvo ainda menor.”

Para Roberto Muylaert, presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), as empresas brasileiras têm como vantagem o valor cobrado pelas assinaturas nos tablets. “As editoras nunca reduziram demais o valor da assinatura, como foi feito nos Estados Unidos. Por isso, os aplicativos são um pouco mais rentáveis no país”, diz. Os executivos participaram do V Fórum Aner de Revistas.

Fonte: Valor Econômico

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