Criatividade no campo das ideias

Tablets abrem oportunidades para peças mais interativas, mas recursos não são usados plenamente

Após pouco mais de um ano do lançamento do iPad, anunciantes e agências estão vivendo uma fase de amadurecimento no uso das ferramentas de interatividade que o tablet proporciona. É um aprendizado pelo qual passam todos, ao mesmo tempo, seja no Brasil ou nos Estados Unidos. Não é à toa, portanto, que um dos fundadores da The WonderFactory, agência digital norte-americana especializada na produção de projetos editoriais e campanhas para tablets, seja tão crítico quanto ao que existe hoje nos devices.

David Link, que esteve em São Paulo na semana passada a convite da Abril Mídia (leia mais abaixo), não hesitou em dizer que 95% das campanhas feitas para esses aparelhos não são boas. Isso, segundo ele, não é algo que ocorre somente nos Estados Unidos. Tablets, como ressalta, são propícios para experiências de marca. Afinal, os usuários desses equipamentos estão mais propensos a consumir publicidade do que os internautas. O problema é que o potencial dos devices não é plenamente explorado. Link e seu sócio, Joe McCambley, mostraram peças 100% interativas que apontam “onde deveríamos estar”.

“Para sairmos desses 95%, alguns fatores pesam, como a penetração dos tablets, a disponibilidade de mais banda — que no Brasil é um aspecto muito importante —, o entendimento de que projetos para tablets não são de simples execução e um modelo de negócio que alavanque esse tipo de ação”, frisa Link. Nesse último quesito, estaria, por exemplo, um formato de assinaturas digitais para os usuários e de tabelas de preços avulsos para veiculações publicitárias nas versões para tablets das publicações. Desse modo, o título poderia abrir mais espaço para campanhas interativas que exigem maiores investimentos das marcas.

Discussão à parte, o fato é que lançamentos de mais modelos de tablets e uma demanda maior por campanhas com recursos multimídia abriram espaço para o crescimento de produtoras ou estúdios com capacidade de formatar peças publicitárias, versões de revistas e jornais e aplicativos para esses devices.

Mão de obra escassa
No caso de anúncios para revistas, a carioca Kindle, que tem escritório em São Paulo, formalizou parceria com a plataforma de editoração Woodwing. O programa é usado por revistas do Grupo Abril, como Veja e Exame — e também é adotado por Meio & Mensagem. O fato de ser uma produtora homologada pelo Woodwing¬ permite que a Kindle desenvolva anúncios harmônicos com a plataforma. “Não é preciso nem fazer testes. A peça sai pronta para sua aplicação”, afirma Ricardo Galvani, diretor da operação da empresa em São Paulo.

Ele conta que o primeiro aplicativo interativo publicado na versão para o iPad de Veja foi desenvolvido pela Kindle para uma campanha de Sundown. A peça poderia ser colorida de acordo com o gosto do leitor, que passava pela experiência de usar o dedo como pincel. Em virtude do volume de trabalho, Galvani destaca que sua empresa está procurando parcerias para ter uma maior estrutura em São Paulo.

O mercado anda tão aquecido que há espaços para muitas produtoras. Alexandre Moura, sócio do estúdio Doubleleft, conta que já faz alguns meses que a maioria dos trabalhos está relacionada para mobile. A empresa, que antes desenvolvia muitos sites, agora está focada nos conteúdos móveis, o que inclui tablets. “Se estiver difícil achar um bom programador, a opção é formar dentro da própria empresa”, aconselha.

A Doubleleft desenvolveu um aplicativo para a marca de bebidas Malibu, requisitado pela Great Works. O trabalho, feito em conjunto, ficou pronto em dois meses e exigiu cuidado especial na manipulação do som. O DJ Music Mixer by Malibu teve 230.000 downloads em seis meses.

Há dois anos e meio no mercado, a FingerTips, que desde fevereiro integra o Grupo¬ Pontomobi, tem dois escritórios, um São Paulo e outro no Recife, com 60 funcionários nas duas unidades. De acordo com o sócio Breno Mazzi, a demanda de aplicativos para marcas no iPad já supera a de anúncios para esse tablet. Isso equivale a um maior tempo para a produção. Além disso, está crescendo a demanda por games e aplicativos no sistema Android (Google) e no BlackBerry.

Mazzi acredita que a boa fase pela qual está passando a FingerTips é a mesma vivida por outros fornecedores. “No primeiro trimestre de 2011, crescemos o equivalente aos seis primeiros meses do ano passado”. Entre os trabalhos realizados, ele destaca o aplicativo para a Porto Seguro, que, em caso de solicitação do serviço da seguradora, mostra o percurso que a viatura da companhia está fazendo até chegar ao segurado que a requisitou.

Outro player do mercado é a Frito, de São Paulo. Desde 2009, a empresa dos sócios Gustavo Pehrsson, Marcel Matsuda e Eduardo Taniguchi atua totalmente focada em interatividade. Ela já realizou aplicativos e anúncios para clientes como Oakley, Fillity e Colírio Moura Brasil. Segundo Perhsson, o mercado está em uma boa fase para as produtoras e, consequentemente, para os programadores. “Desde o lançamento do primeiro iPhone¬, começou a corrida por profissionais especializados”, observa. Com o iPad, a procura por especialistas se intensificou.

Entre os projetos recentes da Frito, Perhsson destaca o aplicativo desenvolvido para o Colírio Moura Brasil, criado pela Publicis, para iPad e iPhone. O software¬ foi lançado em outubro de 2010 e mostra um frasco de colírio que o usuário pinga nos olhos da foto e retira a vermelhidão.

De olho neste mercado, a Conspiração Filmes criou, em 2010, a Conspira Concept, que idealiza e produz projetos e formatos digitais para o mercado de comunicação e publicidade. Recentemente, a produtora contratou Fábio Seixas (ex-DM9DDB), que é formado em mídia interativa, web e design pelo Art Institute, nos Estados Unidos, para assumir como diretor executivo. Uma de suas missões no posto é aumentar o número de trabalhos da Concept para plataformas como o iPad. “Para isso, temos uma equipe multidisciplinar capaz de fazer a criação e adequar as peças ao sistema do tablet”, ressalta.

A Africa também tem um segmento em sua equipe capaz de desenvolver anúncios que não exijam muita complexidade. Porém, de acordo com Felipe Santos, diretor de mídia digital da agência, algumas peças chegam a parecer sites customizados, tendo em vista o número de interações e possibilidades. “Os anúncios que precisam de mais tecnologia, como inserção de vídeos em 3D, por exemplo, são feitos com empresas terceirizadas”, destaca. Entre elas estão Finger Tips, Silika e Ratto.

Colaborou Lena Castellón

Fonte: M&M

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