O momento é de inovar

Assim como nos Estados Unidos, inovação é palavra de ordem para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Investimentos devem crescer nessa área em 2011

O presidente norte-americano Barack Obama, em seu discurso Estado da União, na terça-feira 25, fez um chamamento à inovação como forma de os Estados Unidos impulsionarem o crescimento do país. “Somos a nação que colocou carros nas estradas e computadores nos escritórios. Somos a nação de Edison e dos irmãos Wright, do Google e do Facebook”, declarou. Com energia, convocou o país a ter seu “momento Sputnik”, referindo-se ao salto tecnológico, econômico e social proporcionado pela corrida espacial. A menção remete ao fato de a então União Soviética ter lançado o primeiro satélite da história (o Sputnik), o que compeliu os EUA a acelerarem seus investimentos na área a ponto de ultrapassarem o concorrente nos anos subsequentes.

Suas palavras encontraram eco no Brasil. Nos últimos três anos, os investimentos em inovação cresceram de maneira significativa no País. É o que fica claro a partir dos dados da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que promove a inovação em empresas, universidades, institutos e centros de pesquisa por meio de recursos financeiros. Em 2010, foram desembolsados pouco mais de R$ 4,3 bilhões pela entidade. No ano anterior, esse valor foi de R$ 2,9 bilhões, enquanto que o montante de 2008 ficou em R$ 2,7 bilhões.

Ou seja, o investimento em inovação quase dobrou. E esses valores foram distribuídos da seguinte forma no ano passado: R$ 1,6 bilhão para crédito (empréstimo equivalente a um ano, o que não representa o total do contrato firmado com empresas), R$ 85 milhões para participações (investimentos colocados em fundos), R$ 527 milhões como subvenção a projetos e R$ 2,1 bilhões destinados aos chamados Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT).  Em 2010 foram avaliadas 3,5 mil propostas encaminhadas à entidade financiadora.

A expectativa para 2011 é que os investimentos se ampliem. Os planos da Finep para este ano devem ser mais detalhados a partir desta sexta-feira, 28, quando toma posse, no Rio de Janeiro, o novo presidente da financiadora, o sociólogo Glauco Arbix. Ele é membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e coordenador geral do Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Independentemente de recursos mobilizados para este ano, é certo que a Finep concorda que chegou o momento de a inovação se tornar um elemento vital para impulsionar o Brasil rumo ao futuro. “Inovação é mais do que patente. Não adianta ter patente se a inovação não chegar à prateleira”, diz Ricardo Jabace, chefe do departamento de indústria 1 (setores de energia e complexo aeroespacial, entre outros) da Finep. Para Jabace, Obama fez a colocação certa porque é por meio da inovação que a sociedade poderá dar saltos como os gerados na corrida espacial. “Por trás do discurso dele, há uma referência ao crescimento da China, país que investe US$ 1,5 trilhão em pesquisa e desenvolvimento”.

Mas, além disso, é preciso salientar que projetos de inovação têm de levar em conta diversos aspectos. Segundo Jabace, as propostas têm de oferecer vantagens econômicas e sociais. “Números são importantes, mas os conceitos que envolvem a inovação também o são”, acrescenta. Ele lembra ainda que o Brasil se sai bem na área científica, chegando a ser o quinto país no mundo em produção de papers e pesquisas. Essa performance, no entanto, deveria ser repetida no campo do empreendimento.

Entreprenerds
Sílvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R., o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, baseado no Porto Digital, observou em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, que nos falta “entreprenerds”, pessoas que pudessem empreender “conhecimento nas tecnologias de informação e comunicação”. Meira pergunta, no texto, por que não temos nada como um Orkut ou Twitter feito no Brasil já que temos tanta gente que entende de tecnologia, já que temos tantos nerds – vide a versão brasileira da Campus Party, a maior do planeta?

Selo
Mas a inovação, claro, não se restringe às empresas de tecnologia. Ela envolve distintos setores. Somente no ano passado, a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), que reúne cerca de 200 companhias e entidades, conferiu a 21 novas empresas seu selo que certifica o investimento em inovação. Entre elas estão Petrobras, Renault, Embraer, Faber-Castell e 2K Alimentos. O selo foi criado em 2008 e até hoje foram diplomadas 102 companhias e entidades.

A Anpei defende que criar um ambiente propício para a inovação é um desafio que as companhias brasileiras devem se propor. E apresenta um estudo da Fundação Dom Cabral para mostrar como esse posicionamento é essencial para os negócios. De acordo com esse trabalho, das 500 maiores empresas do País em 1973, 23% delas sobreviveram por 30 anos. O ponto em comum entre elas? Inovação. Mais: das companhias que perduraram nessas três décadas, 36,5% foram compradas por outras, 9,9% foram privatizadas e 9% fundiram-se a outras empresas.

Outro estudo da Fundação Dom Cabral, feito em 2010, indica que somente 34% das empresas brasileiras possuem uma estrutura definida para promover um ciclo de inovação. Na primeira vez em que essa pesquisa foi realizada o índice era de 9%.

Fonte: M&M

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