COI busca R$ 3 bilhões com marca da Rio/2016

Leia entrevista com Fred Gelli, diretor de criação da Tátil Design, que fala sobre o processo criativo, a acusação de plágio e as possibilidade de licenciamento da marca

O Comitê Olímpico Internacional (COI) acredita que pode alcançar a enorme cifra de R$ 3 bilhões com produtos licenciados que tenham a marca das Olimpíadas do Rio/2016. Isso muito se deve à principal novidade que a marca apresentou: a possibilidade de ser tridimensional, como se fosse um objeto – ou até uma escultura, como citou Jacques Rogge, presidente do COI na noite do réveillon.

Passados os primeiros dias – e a primeira polêmica, quando a criação foi acusada de plágio por ser semelhante ao logo de uma ONG norte-americana – a população carioca já teve maior acesso à marca. E segundo Fred Gelli, sócio e diretor de criação da Tátil Deisgn, a aprovação tem aumentado a cada dia. “Tínhamos 755 de aprovação pelo público, mas já chegamos a 90%”, comenta.
A seguir, Gelli fala ao M&M Online sobre o processo criativo, a sensação de vencer uma concorrência com 139 participantes, a acusação de plágio e as possibilidade de licenciamento. Confira:
M&M Online – Como foi todo o processo de criação da marca?

Fred Gelli – Fizemos mais de 50 antes de chegar a essa. Foi muito complicado. É incrível ver os layouts hoje e ver que quase apostamos numa ou em outra. E ficamos com duas finalistas. Houve um empate técnico. E eu fiquei com a função de decidir. Fiquei numa sala fechada por duas horas e por sorte escolhi essa. Desde o início ela sintetizava a maioria do que ela deveria ter. É uma marca que a gente entra dentro dela. Nosso objetivo central era conciliar a dimensão humana com o nosso principal cartão postal. Um grande abraço, o espírito olímpico abraçando a cidade. Ela tem uma série de simbolismos.

M&M Online – Como você vê o design brasileiro a partir desse momento, com uma empresa brasileira abrindo espaço no cenário mundial com uma das marcas mais vistas em todo o planeta?
Gelli – É um momento especial. O fato do comitê ter feito a opção de convidar apenas empresas brasileiras foi um exemplo de confiança na competência do design nacional. Acho que a visibilidade que essa marca vai ter é incomparável. Não há marca no planeta não comercial com visibilidade tamanha como essa. E vai abrir muitas portas. A gente sabe fazer muito com pouco. Eu fui jurado em Cannes no primeiro ano que o design foi uma categoria independente e percebi lá como o mundo percebe um pouco e valoriza essa capacidade de fazermos muito com pouco, capazes de dar brilho a coisas simples. O mundo não agüenta mais quem faz muito com muito. E nossa competência de fazer mais com menos é uma competência muito poderosa, um elemento da identidade do design brasileiro.

M&M Online – O COI tem uma expectativa muito grande em relação ao licenciamento da marca. Você sabe por que?

Gelli – Já tínhamos a percepção desse potencial. Além de ser um elemento de ocupação urbana, pode se tornar num objeto de verdade, palpável. Pode ser até um pingente de ouro. Isso é fantástico. Mas pretendemos desenvolver produtos que sejam de baixo impacto ambiental e alto impacto emocional. E ela é conectada com o futuro, a partir do aspecto 3D, e até holográfico.
M&M Online – Como você viu a acusação de plágio com a marca da ONG norte-americana e a referência com a obra de Matisse?

Gelli – Pessoas se abraçando é um símbolo universal, arquétipo. Signos estão no inconsciente coletivo e se multiplicam em centenas de possibilidades. Além disso, a marca foi submetida à mais dura sabatina do COI, que inclui seis semanas de estudos. A aldeia global gera esse tipo de acesso absoluto ás todas as informações. E por isso mesmo que estamos abrindo, em nosso site, todo o processo criativo.
M&M Online – O que você acha de mais bonito nela?

Gelli – Ela tem uma leveza e transparência, que oferece espaços vazios para a imaginação fluir. Possui uma conexão emocional, que é a mais poderosa que existe. Foi o trabalho que mais acertou no alvo, em 21 anos de Tátil. O mais bacana é ver as pessoas enxergando as dimensões olímpicas. E isso é uma consequência direta do processo criativo. O Rio é uma cidade escultural. Então nada melhor do que ter uma marca escultural.
M&M Online – Ao saber que era vencedor, como foi esconder de tanta gente?

Gelli – Guardamos segredo até e última semana antes do lançamento oficial. Criamos uma sala para guardar a marca e, para despistar, dizíamos que lá estava sendo desenvolvido o projeto Bio, um projeto secreto. E quem estava diretamente envolvido no processo criativo teve que sumir da agência, ficar nesse quarto em determinados momentos. Inventamos desculpas, dizendo que um viajou, o outro quebrou a perna… e os funcionários começaram a desconfiar, fazendo brincadeira. No fundo todos sabiam, mas sabiam também que era preciso guardar segredo. E quando revelamos foi muita comemoração
M&M Online – Quando você soube?

Gelli – No dia 2 de setembro. E a única pessoa para quem pedi permissão para contar foi a minha avó, que guardou o segredo.
M&M Online – O que demandou mais trabalho depois da aprovação da marca?

Gelli – O símbolo foi praticamente aprovado sem mudança nenhuma. Trabalhamos no logotipo nesses 40 dias e nesse tempo fizemos 40 manuais para estabelecer como a marca é aplicada com as marcas dos patrocinadores globais e locais, definição de deadlines técnicos, manuais de animação, etc. E no refinamento de cores, texturas. E tudo isso tendo que guardar sigilo. Mas deu tudo certo.
M&M Online – O que você achou da receptividade do público na praia?

Gelli – Foi incrível. A participação das pessoas quando foi aberto o bandeirão e elas fizeram a bandeira dançar, uma coisa que aconteceu espontaneamente. A cara do Rio.
M&M Online – O que acontecerá a partir de agora com a marca escolhida e oficialmente apresentada?

Gelli – Temos um cronograma de entrega nos próximos seis meses de vários processos. Com momentos centrais de apresentação para o mundo de conjuntos de aplicações da marca. O mascote só será desenvolvido em dois ou três anos. É um longo processo onde essa marca vai amadurecer nesse tempo todo e vamos explorar as suas potencialidades com a vinda de novas mídias por exemplo. Ainda há muito o que descobrir. A marca já pode ser usada pelos patrocinadores globais e locais e os manuais já desenham essa ligação das marcas dos patrocinadores com a marca.
M&M Online – Como carioca, o que é ver a sua empresa vencedora de uma disputa tão acirrada?

Gelli – Estou muito feliz, sou apaixonado pela cidade e minha inspiração vem muito daqui. Sempre vou para São Paulo para o escritório da Tátil lá, gosto de São Paulo, mas volto para o Rio, eu moro no Rio. Dar um mergulho, tomar uma água de coco faz parte do meu processo criativo. Foram 139 agências no começo e era difícil acreditar que dava para chegar no final. Teve uma noite que sonhei três vezes que tinha ganho. Estou feliz, empolgado com a perspectiva de que esse símbolo seja também um marco para as mudanças que vão acontecer na cidade nos próximos anos.
M&M Online – O presidente do COI chamou sua marca de escultura. Qual foi a emoção disso?

Gelli – Pedi permissão para usar a explicação dele sobre a marca, por ser uma marca leve. Tem muito a ver com essa história de reduzir o impacto ambiental. Adorei o comentário dele.

Fonte: M&M

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