Inovação é o tema deste século

Silvio Meira, o cientista-chefe do C.E.S.A.R., centro de pesquisa e desenvolvimento do Recife, sustenta que, seja para as empresas, os profissionais ou a sociedade, a questão é: “inove ou morra”. Ele fala do futuro da web no ProXXIma 2010, na quarta-feira 28

O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, o C.E.S.A.R., é um polo tecnológico que chama atenção no Brasil e em outros países. No dia 14 de maio, completará 14 anos e poderá celebrar o aniversário, sua expansão (são 400 funcionários e três unidades), e suas conquistas nesse tempo, que não são poucas: foi apontado como exemplo de criação de negócios no World Economic Fórum (2001), levou o prêmio Finep de mais inovadora instituição de pesquisa no Brasil (2004) e foi reconhecido como o modelo de negócios mais inovador do País pela Época Negócios (2009), entre outros feitos.

Por distinções como essas, o C.E.S.A.R., junto com o Porto Digital – que congrega empresas focadas em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no bairro do Recife Antigo -, entrou para as páginas de uma reportagem especial de Meio & Mensagem que discutiu a inovação, que foi publicada em sua edição de aniversário (a de número 1405). Também foram mostradas como se prática a inovação em outras regiões do País, com mais três exemplos bem sucedidos: o Instituto Nokia de Tecnologia, em Manaus, o centro de pesquisa e desenvolvimento do Google Brasil, em Belo Horizonte, e o polo tecnológico de Florianópolis, onde funciona o Certi.

Inove ou morra
Inovação, como sustenta Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R. (entrevistado por Meio & Mensagem para a referida reportagem especial), é o tema deste século. E isso vale não somente para as empresas. É essencial também para a sobrevivência da sociedade. Ele acredita que ou mudamos significativamente nossa dinâmica com o mundo ou não temos muitas chances pela frente.

Na entrevista, Meira conta que institutos como o C.E.S.A.R. e o Certi de Florianópolis oferecem a capacidade de inovar com e em TICs. O que pode beneficiar empresas que não sejam somente de tecnologia. E afirma que o centro de tudo deveria ser “inovar para emocionar”.

ProXXIma
Como forma de encerrar a semana de comemoração pelos 32 anos de Meio & Mensagem, divulgamos aqui trechos inéditos dessa entrevista com Silvio Meira. E lembramos que ele estará no ProXXIma 2010, para debater a história e o futuro da web, em palestra que acontece na quarta-feira 28.

Nesta parte da entrevista, Meira afirma que se analisarmos o que as companhias precisam hoje a resposta será software. Em suas palavras, elas podem não saber, mas todas estão nesse negócio. O cientista-chefe do C.E.S.A.R. completa que “a força-motriz de uma empresa, o que faz com que os negócios se movimentem, está em TICs ou em software”. Acompanhe a seguir o desenrolar desse raciocínio.

Meio & Mensagem – Se a gente pegasse o exemplo de uma empresa de mídia. Você está falando de software. É vídeo, é…
Sílvio Meira – Toda a infra-estrutura. Se eu desligasse a infra-estrutura de tecnologia de informação, o Meio & Mensagem morre em 24 horas.

M&M – Mas a força das empresas de mídia não está no conteúdo?
Meira – Aí é que está. Essa infra-estrutura embaixo de TICs ou software tem a percepção de commodity. Todo mundo tem. Mas imagine que essa máquina que me fotografa (indica o fotógrafo) fosse wi-fi e que um editor em São Paulo, vendo a imagem, num fluxo como se fosse Twitter, enviasse uma mensagem na máquina do fotógrafo “pegue esse sujeito num outro ângulo porque ele é careca”. Então, não é o fotógrafo que está fotografando. É a rede. Essa máquina ou algo parecido vai acontecer. Por que? Porque o celular já faz isso. Na hora em que essa máquina aparecer, os primeiros que souberem usá-la competentemente vão criar o diferencial. Isso vai ser um design novo, que vai gerar uma inovação, que vai gerar uma diferenciação. Quem fizer isso com mais competência em relação a quem ficou para trás, ganhará distanciamento e, consequentemente, contratos, margens, preços por fazer coisas que os outros não fazem. Que é uma inovação radical. E depois de algum tempo por fazer melhor do que os outros. Portanto, uma inovação incremental. Como eles começaram primeiro e pagaram o preço de aprender, quando todo mundo chegar eles já estão lá na frente. Esses caras se tornam mais competitivos e, portanto, mais saudáveis, mais fortes e mais aptos a sobreviver.

M&M – Você fala que os que estão “à frente” em geral não estão ganhando dinheiro. Pensando no caso do The New York Times, eles ofereceram conteúdo todo livre. Depois veio a discussão sobre o gratuito e o Rupert Murdoch (empresário da mídia que tem em sua corporação o The Wall Street Journal) disse que não adianta ter todo o conteúdo livre.
Meira – Mas aí o que o NYT estava oferecendo conteúdo livre como isca para aprender modos de uso. Aprender modos de uso é extremamente complicado. Como você chega para sua comunidade e diz “vem cá e me ensina o que você quer fazer” se a própria comunidade não sabe? Eu tenho de colocar as coisas e perguntar “disto tudo aqui, o que vocês vão usar e como vão usar”, me deixa aprender com vocês. Qual era o preço que ele estava pagando? O de botar um playground, trazer as pessoas, colocar as ferramentas de CRM, de marketing, de gestão e entender o que as pessoas estavam fazendo para então dizer “ah, se eu alinhar estas caras aqui, com estes outros, dispostos de uma certa forma, aí vai acontecer um conjunto de efeitos no mercado, que vão me dar uma possibilidade de rentabilizar acesso a certos tipos de conteúdo, a frente da minha competição”. Ele começou a organizar essa coisa. O Murdoch não é exatamente um cara como a gente pensa, pouco inovador. Não é pouco inovador. Se fosse assim, já tinha morrido como negócio. A News Corporation e os interesses correlatos dela estão aí há décadas. É uma empresa com preparo genético de competitividade para sobreviver que é impressionante. Já vi Murdoch de perto em operação na Inglaterra e ele não é um cara para se desconsiderar. Agora, nesse evento em particular, o que ele explicitou é que ele não acredita que o modelo que se estava usando seja o método para a gente aprender. Ele achava que havia outros. Por exemplo, comprou o MySpace para aprender.

M&M – Mas depois o MySpace caiu. Talvez por coincidência. Talvez pela competição das redes sociais.
Meira – Não sei. Não vi nenhuma tese explicando o que aconteceu com o MySpace. Tem também outro fator: essa coisa toda funciona baseada em espirais. Chega algo, você começa, tem um primeiro ciclo de pessoas, depois tem um segundo, um terceiro e daqui a pouco lota. É como bar em Recife. A comunidade da qual faço parte em Recife, a comunidade dos recifenses, é assim: a gente só vai a bar que não tem ninguém. Quando começa a ir muita gente, principalmente desconhecida, aí a gente muda de bar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s