
Há no Brasil cada vez mais empresas que descobrem os benefícios de ser socialmente responsável. Basta ver uma pesquisa conduzida em 1999 pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). Mais da metade das 273 companhias que responderam ao questionário afirmaram apoiar algum tipo de atividade de cunho social ou comunitário, principalmente programas educacionais que beneficiam crianças e adolescentes.
Por isso estamos inaugurando a seção Responsabilidade Social, que terá como conteúdo ações marketeiras, publicitárias e artes que buscam o incentivo a responsabilidade social. Para isso utilizaremos sempre o selo ao lado no cabeçalho do post para identificar a notícia de Responsabilidade social.
É interessante observar que as empresas que estão aderindo ao movimento não vêem os valores sociais como um fim em si mesmo. Os princípios da responsabilidade social vêm sendo integrados à gestão estratégica, em vez de tratados como um apêndice. “As empresas responsáveis já experimentaram uma vasta gama de benefícios”, diz Dunn. Prova disso é um estudo recente feito pela Universidade Harvard. O levantamento conclui que existe uma relação direta entre comportamento ético e desempenho financeiro. Uma corporação responsável apresenta uma taxa de crescimento que chega a ser quatro vezes superior à da que presta contas apenas aos acionistas.
Uma das vantagens a que Dunn, da BSR, se refere é o acesso mais fácil ao capital. Segundo o Social Investiment Forum, mais de 1 trilhão de dólares de ações são administradas por fundos que só aplicam em empresas com uma gestão comprometida com princípios éticos.
Na bolsa de valores de Nova York, um índice criado pela Dow Jones está monitorando a movimentação das ações de um grupo de 200 empresas que adotam práticas de responsabilidade social e fazem parte de uma lista de 3.000 companhias mundiais. Segundo o desempenho avaliado entre janeiro de 1994 e novembro de 1999, as empresas éticas tiveram uma valorização de 170.6%, bem superior à média de 112,2% obtida pelas 3.000 empresas. Num mercado globalizado como o de hoje, adotar ou não práticas responsáveis pode fazer a diferença entre ganhar ou deixar de embolsar alguns milhões de dólares.
“Se o investidor puder optar entre duas empresas com a mesma rentabilidade, qual você acha que vai ser a escolhida?”, pergunta Valdemar Pereira Neto, superintendente do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, a entidade espelho da BSR, no Brasil. Fundado em 1998, o Ethos reúne 214 empresas brasileiras, que empregam 470000 funcionários. Seu faturamento anual eqüivale a 14% do PIB brasileiro.
Outra vantagem decorrente do comportamento ético diz respeito à imagem. Em 1992, a Acesita, única fabricante de aços especiais inoxidáveis na América do Sul, foi privatizada e teve seu quadro reduzido de 7.800 para 3.200 funcionários. É fácil deduzir o impacto negativo causado pelo desemprego entre os 70.000 habitantes de Timóteo (MG), onde fica o parque industrial da empresa. “Ninguém passa por isso impunemente”, diz João Manoel de Carvalho Neto, diretor administrativo e de recursos humanos da Acesita. Na tentativa de amenizar esse choque, a companhia passou a patrocinar programas comunitários. Em 1995, montou um centro cultural e criou a sua fundação. Hoje, é responsável por levar a Timóteo e a outros quinze municípios espetáculos nacionais e internacionais, além de promover talentos regionais. A fundação também atua nas áreas de educação, comunitária e de meio ambiente. “Esse trabalho melhorou nossas relações com a prefeitura, com a Associação Comercial, enfim, com toda a cidade”, afirma João Manoel.
É preciso, porém, ser cauteloso. Quando uma corporação assume publicamente um compromisso com a sociedade, sua palavra passa a ser cobrada a todo o momento. Um movimento em falso pode ser suficiente para cair do pedestal. E pode ser difícil voltar a subir. Que o digam impérios como a Nike, acusada de negociar com fornecedores asiáticos que utilizam o trabalho infantil. A fabricante de produtos esportivos viu, em 1995, a cotação de suas ações despencar quase 50%. Segundo a University of Southwestern Louisiana, a má publicidade pode mesmo diminuir o valor das ações durante um período mínimo de seis meses. Com o avanço da Internet, o risco aumenta. As boas notícias e as escorregadelas das empresas chegam velozmente à opinião pública. É o efeito holofote.
É claro que a imagem institucional é importante, mas não é tudo. O preço e a qualidade continuam decisivos na compra. A consultoria americana Walker Research descobriu que, quando esses fatores são idênticos, 76% dos consumidores trocariam a marca se uma das empresas estivesse relacionada com uma boa causa.