Anvisa exige alertas na publicidade de alimentos

Medida da agência obriga a inserção de mensagens nos anúncios de produtos com alto teor de açúcar, gordura e sódio

A publicidade de qualquer tipo de alimento que contenha componentes considerados poucos saudáveis pelos padrões mundiais de saúde deverá conter mensagens de alerta. A determinação foi tomada em reunião da Anvisa no dia 15 de junho e publicada nesta terça-feira, 29, no Diário Oficial da União.

Pelo texto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determina a inclusão de textos ou mensagens que esclareçam que tais alimentos podem ser prejudiciais à saúde se consumidos em excesso. De acordo com o texto da agência, a regra vale para a divulgação e promoção comercial de alimentos considerados com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio e para bebidas com baixo teor nutricional. Nesse grupo estão itens como biscoitos, chocolates, balas, refrigerantes, salgadinhos e outras guloseimas do tipo.

De acordo com a Anvisa a resolução tem o objetivo de coibir – ou pelo menos alertar – o público a respeito dos riscos da ingestão de alimentos pouco saudáveis. O texto deixa claro que a medida tem como meta principal proteger as crianças de uma ingestão alimentar incorreta incentivada pela publicidade desses tipos de alimentos. Na determinação a Anvisa relata que a regra tem a missão de “coibir práticas excessivas que levem o público, em especial o público infantil, a padrões de consumo incompatíveis com a saúde e que violem seu direito a alimentação adequada.”

A Anvisa esclarece que a inserção de mensagens de alerta deverá ser aplicada à oferta, propaganda, publicidade, informação e outras práticas correlatas cujo objetivo seja a divulgação e a promoção comercial dessa categoria de alimentos. A regra, entretanto, não vale para os rótulos e embalagens desses produtos.

Como em grande parte de suas determinações, a Anvisa concede um prazo de 180 dias para que os fabricantes e anunciantes se adaptem as suas determinações. No mesmo texto, porém, não há padrões e regras para o estilo das mensagens de alerta.

A determinação já está publicada no site oficial da Anvisa. No texto, a gerente de monitoramento e fiscalização de propaganda da Agência declara que “O consumidor é livre para decidir o que comer. No entanto, a verdadeira liberdade de escolha só acontece quando ele tem acesso ás informações daquele alimento, conhece os riscos para sua saúde e não é induzido por meio de práticas abusivas.

Regras

O texto publicado no site esclarece quais os padrões os anunciantes e agências devem seguir para se enquadrar nas novas regras da Anvisa. A partir de agora fica proibido o uso de símbolos, figuras ou desenhos que podem gerar uma interpretação falsa ou sugerir que o alimento contribui para a saúde quando isto não for verdadeiro.

No caso de alimentos com alto teor de açúcar – como chocolates, biscoitos doces e outros – será necessária a inserção de frases como “O (marca do produto) contém muito açúcar e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e cárie dentária”. Para os alimentos sólidos, a inclusão desse alerta vale para quando houver mais de 15g de açúcar por cada 100g do produto.

Já para os refrigerantes, refrescos e chás prontos, o alerta será obrigatório quando a bebida tiver mais do que 7,5g de açúcar por cada 100 ml de líquido.

Os comerciais televisivos desses produtos também devem seguir a regra. No caso de filmes na TV, o personagem principal da campanha será o responsável por dar o alerta. Em caso de spots de rádio, a função caberá ao locutor. Para os anúncios de mídia impressa, a Anvisa determinas que as mensagens tenham um bom destaque e que chamem a atenção. Na internet, o alerta deverá ser exibido continuamente, junto com a mensagem do produto.

Para os fabricantes, anunciantes e agências de publicidade que descumprirem as regras, a Anvisa prevê uma multa variável entre R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão.

Mudança de postura

Apesar de ter adotado a determinação a partir de agora, a Anvisa avia demonstrado a intenção de se retirar da questão da publicidade infantil em março deste ano, quando declarou que os próprios anunciantes já haviam demonstrado uma preocupação considerável e suficiente no intuito de fazer uma comunicação que não incentivasse o consumo de alimentos não-saudáveis.

Desde o ano de 2009, porém, a Unidade de Monitoramento e Fiscalização de Propaganda e Publicidade do órgão planejava audiências públicas para discutir novas diretrizes sobre a publicidade destinada às crianças.

Quando a Anvisa começou a levantar o assunto diversos fabricantes de alimentos – como a Nestlé, por exemplo – começaram a manifestar, publicamente, uma nova postura acerca da publicidade infantil. Algumas empresas assinaram acordos de não-veiculação de propaganda de alimentos que fosse direcionada diretamente às crianças e prometeram uma maior cautela na divulgação de itens do universo infantil.


3 Respostas to “Anvisa exige alertas na publicidade de alimentos”

  • Brazil: Limits on Food Ads Shake Market Forces :: Elites TV

    [...] arinelli [pt] comments on the industry’s early moves: Quando a Anvisa começou a levantar o assunto diversos fabricantes de alimentos – como a Nestlé, por exemplo – começaram a manifestar, publicamente, uma nova postura acerca da publicidade infantil. Algumas empresas assinaram acordos de não-veiculação de propaganda de alimentos que fosse direcionada diretamente às crianças e prometeram uma maior cautela na divulgação de itens do universo infantil. When Anvisa began raising concerns on this issue several food manufacturers – such as Nestlé – began to express publicly a new attitude towards advertising to children. Some companies have signed pledges commiting to refrain from broadcasting or publishing advertising aimed directly at children and promised greater caution when directing messages to the age group. [...]

  • Brazil: Limits on Food Ads Shake Market Forces | The Global Citizen

    [...] arinelli [pt] comments on the industry's early moves: Quando a Anvisa começou a levantar o assunto diversos fabricantes de alimentos – como a Nestlé, por exemplo – começaram a manifestar, publicamente, uma nova postura acerca da publicidade infantil. Algumas empresas assinaram acordos de não-veiculação de propaganda de alimentos que fosse direcionada diretamente às crianças e prometeram uma maior cautela na divulgação de itens do universo infantil. When Anvisa began raising concerns on this issue several food manufacturers – such as Nestlé – began to express publicly a new attitude towards advertising to children. Some companies have signed pledges commiting to refrain from broadcasting or publishing advertising aimed directly at children and promised greater caution when directing messages to the age group. [...]

  • Global Voices em Português » Brasil: Limites à Publicidade de Alimentos Sacodem as Forças do Mercado

    [...] arinelli comenta os movimentos iniciais da indústria de alimentos: Quando a Anvisa começou a levantar o assunto diversos fabricantes de alimentos – como a Nestlé, por exemplo – começaram a manifestar, publicamente, uma nova postura acerca da publicidade infantil. Algumas empresas assinaram acordos de não-veiculação de propaganda de alimentos que fosse direcionada diretamente às crianças e prometeram uma maior cautela na divulgação de itens do universo infantil. [...]

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